Bioinovação: a natureza a favor da indústria
O presidente da Novozymes Latin America, Pedro Luiz Fernandes, fala sobre a multinacional que sabe unir como poucos tecnologia e as tradicionais disciplinas biológicas
A rotina da multinacional dinamarquesa fornecedora de enzimas industriais Novozymes é combater o impacto ambiental de seus produtos. Para isso, conta com recursos simples e ao mesmo com o que há de mais moderno em técnicas de biotecnologia – como engenharia genética, química protéica avançada e engenharia protéica. Ou seja, são produtos que apenas potencializam o que a própria natureza sabe fazer de melhor, que é produzir com equilíbrio. E por conseguir soluções inteligentes e ambientalmente corretas para o mercado, a empresa é hoje uma líder mundial no setor, com 48% do mercado e faturamento líquido de R$ 4,7 milhões
O presidente da Novozymes Latin America – localizada no município de Araucária – Pedro Luiz Fernandes, fala sobre os desafios de pensar diariamente na responsabilidade com a sociedade e com o meio ambiente e ainda como transformar tudo isso em um processo lucrativo. Segundo o presidente, não há melhor investimento do que a sustentabilidade.
A Novozymes atende atualmente fabricantes de álcool, alimentação, couro, detergentes, etanol, industriais têxteis, óleos e gorduras, panificação, papel, entre outros. E recentemente expandiu seus negócios adquirindo a empresa Turfal, fabricante de produtos agronômicos e biológicos, situada em Quatro Barras, também na região de Curitiba. O motivo da compra: oferecer uma opção de agricultura sustentável, um dos grandes desafios da atualidade. Afinal, desafio e sustentabilidade são os dois grandes motores da empresa, como explica o presidente.
“No meu ponto de vista as duas coisas. Claro que o mercado internacional exige que se produza com as melhores práticas ambientais, sociais e financeiras. Eu vejo que a dívida com a sociedade já vem de muitos anos atrás e hoje estamos tentando mitigar o efeito desta dívida”, Pedro Luiz Fernandes
Novozymes é uma empresa comprometida com a responsabilidade ambiental, como comprovam seus vários certificados. Desde quando essa preocupação foi implantada na empresa?
Desde o início da nossa produção de enzimas em 1989, já nos preocupávamos com a sustentabilidade. Entretanto, naquela época não se falava de sustentabilidade, mas já era uma preocupação da Novozymes produzir respeitando o meio ambiente.
Atualmente, quais são os principais exemplos de que a Novozymes na América Latina trabalha para diminuir seus impactos ambientais?
Principalmente água e energia, a troca para motores de alta performance, construção novo prédio utilizando o conceito da construção sustentável. Todo o resíduo gerado da manutenção dos jardins, como corte da grama, poda de árvores, resíduos verdes do refeitório são encaminhados para a produção de húmus com nossas valentes minhocas que transformam todos estes resíduos em húmus. O húmus produzido é utilizado na fertilização dos jardins que produziram os resíduos.
Para a Novozymes, a responsabilidade socioambiental é uma questão de diferencial de mercado ou dívida com a sociedade?
No meu ponto de vista as duas coisas. Claro que o mercado internacional exige que se produza com as melhores práticas ambientais, sociais e financeiras. Eu vejo que a dívida com a sociedade já vem de muitos anos atrás e hoje estamos tentando mitigar o efeito desta dívida.
Qual a ligação da empresa com projetos de fontes de combustíveis de energias renováveis?
A ligação que a Novozymes tem é muito forte, pois produzimos enzimas para produzir etanol de primeira e segunda geração. Este ano lançamos nossas celulases para produção de etanol de palha de milho e agora estamos nos dedicando para as celulases que serão utilizadas no processo de produção do etanol de segunda geração do bagaço da cana de açúcar.
Há pouco tempo, a Novozymes expandiu seus negócios, ao adquirir a Turfal, fabricante paranaense de produtos agronômicos e biológicos. O que motivou a aquisição?
A principal razão para esta aquisição é que queremos expandir nossa posição no mercado de agricultura sustentável. Trata-se de uma oportunidade para a Novozymes continuar ajudando a enfrentar o enorme desafio de alimentar o mundo no futuro. A produção agrícola global requer um aumento de 70% para poder alimentar uma população que chegará a 9 bilhões de pessoas em 2050. Os inoculantes fixadores de nitrogênio da Turfal e da Novozymes podem ajudar os agricultores a reduzir suas necessidades de fertilizantes de nitrogênio no cultivo de leguminosas em até 80%. Esta é uma proposta de valor único em um mundo no qual os agricultores estão sob pressão para aumentar a produção de uma maneira sustentável.
Pesquisa realizada com a ONG WWF mostra que a biotecnologia industrial tem um potencial de redução da emissão de carbono de até 2,5 bilhões de toneladas por ano até 2030, o que corresponde a 5% das emissões mundiais em 2008. Quais os projetos são ligados diretamente à redução das emissões de CO2 na Novozymes?
Um grande exemplo que temos é de através dos nossos clientes utilização das nossas soluções biológicas, no ano passado, mais de 28 milhões de toneladas de CO2 deixaram de ser emitidas. Isto é aproximadamente tirar de circulação 5 milhões de carros de modelo pequeno.
Além de diminuir impactos ambientais, a Novozymes tem outras preocupações, como na área social? Quais são?
Uma das preocupações da Novozymes é com a educação. Temos um projeto social juntamente com a Prefeitura da Cidade de Araucária onde nossos técnicos estão capacitando os professores da rede de ensino público. O projeto chama-se Biotecnologia para sustentabilidade, onde os professores têm aulas sobre biotecnologia e também sobre enzimas industriais e suas aplicações e depois tudo isto é repassado aos alunos do ensino fundamental.
Como vê o empresariado brasileiro em relação à sustentabilidade?
Ainda temos um caminho a ser percorrido, pois para alguns sustentabilidade é sinônimo de gasto de dinheiro sem retorno. No geral a situação está melhor quando comparada com anos atrás, mas ainda deve ser muito melhorada.
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